Quem foi conferir Nando Reis em sua passagem por Santa Maria nesta sexta-feira, no Avenida Tênis Clube, durante a turnê de Jardim-Pomar, conferiu de perto um show bastante intimista. É óbvio que o destaque da apresentação foi o próprio cantor e sua banda, os quais empolgaram com músicas do novo álbum como “Só Posso Dizer”, “Pra Onde Foi” e “Inimitável”, além de grandes sucessos de sua carreira, como “Os Cegos do Castelo”, “Sou Dela”, “All Star”, “Relicário” e a esperada “O Segundo Sol” que só tocou no bis. Mas, para quem acompanha o cantor há mais tempo e já está habituado com seu show mais concentrado em voz e violão, a cenografia de Jardim-Pomar foi um espetáculo à parte.

Com projeto visual dirigido por Roger Velloso, o show tem um cenário com transparências, imagens em movimento e um jogo de luz que faz um convite à plateia para mergulhar no universo de Nando Reis. Mesmo quem comprou ingresso para a pista, que ficava lá no fundão do Avenida Tênis Clube e curiosamente era beeeem menor que a área VIP, conseguiu fazer esse mergulho (menos é claro quando um celular ou outro tomava conta do espaço para selfies, lives, histories, por sinal, pessoal, podem usar o celular na horizontal, viu, vocês gravam menos o teto e mais o conjunto do palco, e aí até dá para quem está atrás dar uma espiadinha no visor #ficaadica).

Mas, voltando ao que interessa, o show é bastante cenográfico. Isso chama muito a atenção porque é a primeira turnê de Nando Reis em que isso acontece. E não são simples alegorias, são fotos, poemas, documentos (até mesmo o RG do seu José Fernando Gomes dos Reis), cartas, desenhos, colagens, materiais que ajudam a projetar essa intimidade toda que faz parte da atmosfera de Jardim-Pomar e cria uma ideia de vínculo afetivo com a passagem do tempo.

Essa brincadeira audiovisual que desperta memórias e emoções está muito presente, por exemplo, em  “Lobo preso em renda”, que foi introduzida por sons e imagens do próprio Nando datilografando em máquina de escrever pra logo em seguida explodir em sons de guitarra o refrão “ficar louco para ficar solto”.

Foi assim que, em meio à sons pré-gravados, conversas, vozes, sons mecânicos, imagens de bastidor, reminiscências de seu passado profissional e familiar, e munido de muita música no palco, Nando Reis e Os Infernais garantiram uma noite regada de poesia em novas e velhas composições. Quando a turnê foi lançada, Roger Velloso, que assina a concepção e o roteiro do show (os responsáveis pela cenografia são Felipe Tassara e Daniela Thomas e o figurino é Alexandre Herchcovitch) disse que a ideia era “mostrar Nando Reis por inteiro”.  Nando Reis é uma força da Natureza muito forte para ser mostrado por inteiro, mas que houve um mergulho profundo em seu universo, não há dúvida alguma.

Marilice Daronco

Apaixonada por contar histórias. Sonha em pegar a mochila e sair pelo mundo em busca delas.

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