Há décadas os filmes que levam o selo Marvel abraçam gêneros diversos. Guardiões da Galáxia, por exemplo, é a aventura espacial. Já o Homem-Formiga pode ser enquadrado ali naquela categoria de filmes de assalto. Hoje em dia, nas raras vídeo-locadoras que existem por aí, o Capitão América – Soldado Invernal, por exemplo poderia estar naquela estante onde ficam os filmes policiais e de espionagem.

Capitão-América – O Soldado Invernal

Essa mais recente empreitada do Homem-Aranha, por sua vez, é o filme colegial da Marvel. Sabem aquelas jornadas de amadurecimento que o falecido cineasta John Hughes fazia com tanto esmero lá na década de 80? Pois então, Homem-Aranha: De volta ao lar é um desses filmes.

Spider-Man e Breakfast Club – O encontro entre gerações

O subtítulo De volta ao lar não está ali por acaso, afinal, depois de uma trilogia (dirigida por Sam Raimi), depois de uma quase trilogia (dirigida por Mark Webb), o aracnídeo mais famoso da cultura pop retorna para o seu estúdio, a Marvel, em uma aventura dirigida pelo ainda pouco conhecido Jon Watts (o cidadão não tem um currículo muito longo como cineasta).

Entre os vários acertos do De volta ao lar está o fato de não narrar uma história de origem do Homem-Aranha. Afinal, a maneira como Peter Parker adquiriu os seus poderes já está praticamente no inconsciente coletivo da humanidade. E se havia o ranço de que “mais uma vez iríamos assistir ao tio Ben ser assassinado”, ele logo foi limado, pois aqui o adolescente Parker já é apresentado com os seus grandes poderes, já foi testado em uma primeira missão (Guerra Civil manda lembranças) e está ávido para fazer parte da elite de heróis famosos do planeta.

É aí que reside um dos alicerces do longa-metragem: o adolescente Parker está cansado de ser apenas “o amigão da vizinhança”, auxiliando idosas a atravessar a rua e evitando pequenos furtos no seu bairro. O guri, na verdade, almeja participar de ações mais emocionantes, algo que o seu mentor, o Tony “Homem de Ferro” Stark, ainda evita acontecer.

Porém, tudo muda com o aparecimento do Abutre, vilão muito bem interpretado pelo excelente Michael Keaton.

Tom Holland

Tom Holland

O terceiro ator a vestir o uniforme do Homem-Aranha é o britânico Tom Holland, que encarnou com perfil falastrão e azarado do personagem, tendo ainda como um bônus o fato dele interagir com as atuais tecnologias do momento. Não por acaso, as pessoas se referem a ele como o Homem-Aranha do Youtube.

A verdade é que, além de ser o Spider-Man para essa geração pós-modem ADSL, Tom Holland é também o aranha que entrou no universo cinematográfico da Marvel já em andamento. Por isso, esse novo Peter Parker, que “pegou o bonde andando”, interage com outros adolescentes que já são fãs do Capitão América, com garotas que já idolatram o Thor e por aí vai. A diferença entre Parker e os outros dos seus colegas é ele ser o único a conhecer de perto essas figuras. E isso rende momentos divertidos no longa.

O elenco de coadjuvantes está bastante afinado e diferente do que é mostrado na mitologia do herói. Um exemplo disso é a tia May. Esqueça aquela senhora de cabelos grisalhos. Agora a tia do herói é uma elegante e esbelta Marisa Tomei.

A própria turma do Peter Parker conta com personagens de etnias variadas. Enfim, ficou bacana ver um herói criado lá nos anos sessenta dialogando com os novos tempos.

O Abutre

Se há uma reclamação (e com uma certa razão) em relação aos filmes da Marvel, é a falta de carisma de boa parte dos vilões. Antes Loki era de longe o vilão mais trabalhado dos filmes, mas eis que surgiu Michael Keaton para disputar com ele o posto de vilão mais “amado”.

O Abutre aqui mostrado é bem diferente dos quadrinhos, mas possui motivações bem elaboradas e que se adequam perfeitamente no quebra-cabeça que é o universo cinematográfico da Marvel. Ainda bem que o ator encarregado para conferir a dramaticidade para esse bom personagem foi o experiente Michael Keaton. As cenas em que Holland e Keaton interagem são excelentes.

Infelizmente Homem-Aranha: De volta ao lar ficou devendo no quesito cenas de ação. Sam Raimi, em 2004, entregou a antológica luta do Spider-Man contra o Dr. Octopus sobre um trem. Até mesmo o Peter Parker do Andrew Garfield tem lá alguns momentos de lutas bem elaborados. No entanto aqui os movimentos são bem genéricos e com pouca imaginação.

No saldo geral Homem-Aranha: De volta ao lar é uma ótima diversão. Eu apenas não considero o melhor porque Sam Rami, na década passada, nos deu o Homem-Aranha 2. Além disso, essa nova empreitada colocou muito bem o personagem mais famoso da Marvel em seu universo de filmes. Tudo isso sem medo de ousar, trazendo vários conceitos diferentes do que são mostrados nas revistas.

Carlos Fernando

Jornalista, ama livros e aprecia contar e ouvir histórias.

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